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Indústria da decoração


*Izabel Souki.

O segmento de decoração e arquitetura, assim como o de moda, segue tendências e estilos mundiais e movimenta milhões de dólares todos os anos. Cerca de 60 países dominam esse mercado e têm um faturamento estimado de U$$ 376 bilhões, de acordo com o Centro de Pesquisas Industriais (CSIL). Entre os principais importadores estão Estados Unidos, Alemanha, França e o Reino Unido. Já os maiores exportadores são China, Itália, Alemanha e Polônia. As principais novidades do setor geralmente são ditadas em grandes eventos internacionais, como o Salão Internacional do Móvel, realizado recentemente em Milão. O que será percebido nos próximos meses em design de interiores diz respeito às cores utilizadas de forma estratégica, tanto em ambientes comerciais quanto em residenciais. A ousadia vem do uso de tons fortes e vibrantes em peças de mobiliário, iluminação ou marcenaria, nos locais compostos predominantemente por cores neutras. Esses detalhes em vermelho, amarelo, azul e violeta ajudam a dar destaque a diversas composições, sem perder o visual clean.

A reciclagem também estará em alta, e muitas peças poderão ser usadas com a finalidade de dar vida na seriedade do preto, do branco e do cinza. O estilo aparece atualmente em diversas formas, como cadeiras feitas com peças de roupas e mesas fabricadas com papelão. De forma surpreendente, esses materiais são transformados com estilo e design arrojado. O conceito de bom gosto pode ser reinventado sempre, agregando novas ideias e mesclando o clássico com outros tantos modos inovadores.

Para os ambientes corporativos, a tendência é compor o mobiliário em espaços amplos, sem divisões e globalizados, mostrando estações de trabalho de vários jeitos. No Ufficio, espaço da feira internacional destinada a escritórios, esse formato foi característica principal em grande parte dos estandes. Além de criar um visual moderno, aproxima a equipe, antes isolada pelas divisórias e mesas individuais.

Em todos os eventos de decoração é possível ver que o diferencial está em agregar novas tecnologias, formas e materiais. Eles enriquecem o conceito dos designers. Nas novas coleções apresentadas mundialmente, o polipropileno e o polietileno aparecem como boas opções de materiais utilizados. De forma geral, o que deve saltar aos olhos nos ambientes modernos é a sensação de conforto e acolhimento. Por isso mesmo o mobiliário é mais baixo, revestido com materiais que apliquem essa sensação ao olhar. E as cores entram para quebrar a linearidade, que muitas vezes cansa e entedia.

A Feira Internacional de Milão, que é a maior referência para profissionais da decoração, mostrou mais uma vez que o design ainda tem a capacidade de melhorar a vida das pessoas, tornando os ambientes mais agradáveis e relaxantes. E o nosso País está se tornando bom consumidor desses produtos e conceitos. Os brasileiros estão consumindo mais e o mercado imobiliário nunca registrou tamanha expansão. Por isso, cresce a demanda pelos profissionais de decoração e o mercado de móveis. Para se ter uma idéia, o ramo de móveis e colchões no Brasil cresceu em 13,2% em 2010 se comparado ao ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóveis). A Associação Bra¬sileira de Designers de Interiores (ABD) também registrou expansão do setor em 500% na última década. Parte desse aumento se deve ao surgimento de um novo mercado: a classe C. Isso mostra que os brasileiros não só querem a casa própria, mas também conforto e bom gosto dentro do lar. As idéias e tendências mundiais vistos na Feira de Milão também podem ser adaptadas a essa nova realidade brasileira e aos novos consumidores brasileiros.

* Izabel Souki , diretora do escritório “Izabel Souki Engenharia e Projetos”

Fonte: Zoom Comunicação




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