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*Clarice Menezes Degani
Não é de hoje que a humanidade busca o desenvolvimento. Ele é objetivo das diversas pesquisas do meio acadêmico e, embora de modo e proporções diferentes, também é anseio dos cidadãos comuns. Por desenvolvimento, pretende-se garantir e aperfeiçoar as condições de vida dos seres humanos, buscando muito mais do que o atendimento de suas necessidades básicas de alimentação e abrigo, mas provendo-os de boas condições de conforto e saúde e permitindo uma amplitude das opções de trabalho, educação, lazer e cultura.
Por perceber as consequências negativas nas cidades e nos ecossistemas decorrentes do desenvolvimento a qualquer custo, o termo sustentabilidade aparece nos debates desencadeados em fóruns mundiais, para que este ocorra por meio de tecnologias menos impactantes, partindo de novas ideias, de novas práticas e de novas posturas.
E como novas práticas e novas posturas começam dentro de casa, percebe-se a importância de considerar estas questões de sustentabilidade nas próprias habitações que abrigam os cidadãos e compõem o cenário das cidades, independente de estarem inseridas em meio urbano ou rural, ou de pertencerem a pessoas com maior ou menor poder aquisitivo.
Mas o que seriam habitações mais sustentáveis para todos?
Primeiramente, esquecer os modelos. Fixar modelos, por si só, já é uma atitude insustentável, pois permite incoerências com os diferentes contextos em que as habitações podem estar inseridas, com a diversidade cultural das pessoas que nelas irão habitar e com os diversos orçamentos disponíveis.
Também é importante sinalizar os benefícios de uma habitação mais sustentável ao longo do tempo, os quais poderão ser percebidos diretamente pela redução das despesas no consumo de água, energia elétrica e gás e nas atividades de conservação e manutenção. Esta redução de despesas pode ser obtida de diversas maneiras, sem necessariamente exigir grandes investimentos, mas sempre partindo de planejamento, gestão e comprometimento dos usuários na utilização das unidades habitacionais.
São boas práticas:
Além da potencial redução de despesas operacionais, as habitações mais sustentáveis também devem proporcionar melhores padrões de conforto e saúde aos seus usuários.
Em termos de conforto térmico, por exemplo, sabe-se que os padrões podem variar bastante conforme o poder aquisitivo das pessoas e, portanto, também variam as soluções de projeto e a especificação dos materiais de construção. Mas de modo geral, independente do orçamento, é possível fazer boas escolhas para os sistemas de vedação externa, para a configuração das lajes de cobertura, telhamentos e dispositivos de sombreamento, obtendo da própria arquitetura as condições térmicas interiores satisfatórias e compatíveis com as condições climáticas locais.
Já em se tratando de conforto acústico, muito ainda é preciso ser desenvolvido em termos de soluções para esquadrias, vedações internas e revestimentos de piso, sendo este não apenas um problema observado em habitações de baixa renda, mas também atingindo os diversos padrões, em maior ou menor grau, conforme o nível de exposição ao ruído.
Quando o tema é saúde, deve-se garantir nas habitações bons padrões de ventilação, proporcionados por pés direito altos e adequado posicionamento e configuração das esquadrias e outros pontos de tomada de ar, além de revestimentos de piso e parede que possibilitem fácil higienização, evitando acúmulo de poeira e contaminantes.
Em termos de investimento, entende-se que em cidades com condições climáticas mais severas ou com maior nível de exposição ao ruído ou poluição, são necessários mais recursos, sendo estas questões a serem aperfeiçoadas para garantir conforto e salubridade ótimos em habitações de pessoas de baixa renda. Do mesmo modo, as soluções em esquadrias surgem como um ponto frágil quando se trata de disponibilidade no mercado brasileiro e custos, pois são elementos fundamentais nas habitações, garantindo isolamento, estanqueidade e flexibilidade de usos nos diferentes horários do dia e condições climáticas.
De qualquer forma, com planejamento e boa arquitetura é perfeitamente possível obter-se habitações mais sustentáveis sem grandes investimentos adicionais, culturalmente aceitas e operáveis, ambientalmente menos impactantes e que contribuam para a criação de uma sociedade mais justa e igualitária em termos de uso dos recursos.
*Clarice Menezes Degani é engenheira especialista em sustentabilidade e assessora da vice-presidência de Sustentabilidade do Secovi-SP
Fonte: Secovi-SP
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